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jornalismo_informacaoAngola - Correio do Patriota -  Face às aquisições de semanários acontecidas na semana passada, desafiaram-me os meus alunos de Sociologia da Comunicação a abordar este tema, o que faço com gosto. Vale a pena de facto analisar deste ponto de vista o que esta a acontecer, e o que se pode adivinhar no futuro.


Na realidade, tudo começou quando o Homem, mercê de relações sociais cada mais complexas, sentiu que os meios naturais de comunicação (a voz, os gestos) eram já insuficientes para tornar a comunicação efectiva. De facto, nas grandes caçadas ou no fragor de uma batalha, os líderes e comandantes não conseguiam fazer-se ouvir e assim passar as instruções que eram necessárias para a concertação de esforços de um grande número de gente. Então inventou os meios artificiais de comunicação, naquela época búzios, cornos de animais, batuques e, mais tarde trombetas e clarins. Assim o Homem tornou-se no primeiro e único animal que passou da comunicação imediata - aquela feita através de meios naturais - para a mediada, isto é, aquela feita através de meios artificiais com o objectivo de ampliar o seu alcance.

Com o surgimento da comunicação feita através de meios - medium ou media em latim - surge uma figura cuja importância torna-se cada vez maior o seu operador, que no principio era o tocador do batuque, do búzio ou da corneta. Ao ponto que o líder ou o comandante dele dependia para fazer chegar as suas ordens e instruções, o que fazia que o operador de media estivesse sempre junto do detentor do Poder. O detentor do Poder procurava assim ter o operador da Media sob o seu controlo pois caso ele não transmitisse as ordens ou o fizesse incorrectamente, isso causaria a confusão, o caos e a não consecução dos objectivos da caça, pesca ou mesmo a derrota nas batalhas. Assim começou a relação quase umbilical entre a Comunicação e o Poder ou, se preferirem, os operadores da Media e os detentores do Poder.

Como surgimento de meios de comunicação social cada vez mais evoluídos, essa relação assumindo mesmo um carácter de parasitismo mútuo, já que enquanto a Media precisa das informações que os detentores do Poder possuem, esses por sua vez não podem fazer chegar a sua mensagem ao público sem aqueles.

Esta relação, entretanto foi-se tornando cada vez mais difícil e menos pacífica à medida que acontecia a tal chamada «Democratização da Informação». Nesse processo, os cidadãos foram tendo cada vez mais poder, sendo que os lideres deles dependem para legitimar os seus mandatos. Os Media e os seus operadores, os jornalistas, passaram a ficar entre os detentores do Poder e os cidadãos num esquema que aqueles precisam destes para comunicar-se com os cidadãos. Começaram a surgir correntes de pensamento segundo as quais a Media devia ser o mais fiel possível aos factos relatados, mesmo - principalmente - se esses factos relatados forem atentatórios aos detentores do Poder, já que é através da Media que os cidadãos fiscalizam a acção dos governantes. Isso conduziu - e conduz - ao inevitável choque em que de um lado temos o Poder tentando influenciar ou controlar a Media e do outro esta tentando esquivar-se com vista a manter a sua "independência" e assim prestar um serviço mais isento aos cidadãos.

Angola não fugiu nem foge a esta regra. Foram operadores da Media como Fontes Pereira e Paixão Franco os precursores da última etapa da luta pela independência, foram operadores da Media - a escrita, nesse caso - como Mário de Andrade, Agostinho Neto, Viriato da Cruz e outros que levantaram o facho no sprint final libertino, e são operadores da Media, da Media privada que se quer independente, que hoje em dia conferem aos cidadãos os subsídios mínimos para exercerem a fiscalização aos actos do Governo, essencial a qualquer democracia que se preze.

Assim a Sociologia da Comunicação explica porque interessa ao cidadão em geral saber a quem pertencem os órgãos de comunicação social - a Media, se quisermos. Porque os órgãos de comunicação social entram-nos nas casas, nas mentes, dão o seu contributo, bom ou menos bom, a educação dos nossos filhos e, modelam o nosso próprio comportamento, quer queiramos quer não. Quem controla a Media, já dizia Lenine, controla a Sociedade. Por isso, quase todos os países têm leis que proíbem o monopólio e outras formas indevidas de controlo da Media por parte dos detentores do Poder. Poder esse que para além de político, pode ser também económico, financeiro, ou de qualquer outro tipo

Celso Malavoloneke


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