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220912 imprensaChina - Hoje Macau - A Associação Novo Macau quer uma justificação sobre o dinheiro gasto na sondagem sobre da Lei de Imprensa. É que, para os democratas, foi “desequilibrada e tendenciosa”. Angus Cheong nega que tenham de ser revelados detalhes sobre os gastos.Um dia depois do Gabinete de Comunicação Social (GCS) ter tornado público o relatório da sondagem deliberativa sobre a revisão da Lei de Imprensa e da Lei da Radiodifusão, a Associação Novo Macau entregou ao GCS uma carta onde pede que seja justificada a aplicação do dinheiro gasto na sondagem. A cargo da ERS – Soluções Macau, de Angus Cheong, o estudo obrigou ao pagamento de 3,5 milhões de patacas pelo Governo.


Para Jason Chao, presidente da associação que falou ao Hoje Macau, apesar de a empresa pertencer a um académico, houve “erros logo de início”. Exemplo disso, alerta, é que tanto o público como o sector de imprensa já tinham considerado que a informação fornecida aos cidadãos – principais ouvidos nesta sondagem – foi “desequilibrada e tendenciosa”, tendo “deliberadamente” distorcido e ampliado as condutas irregulares da imprensa estrangeira, mas sem mencionar qualquer problema com a imprensa local.

“A sondagem deliberativa distorceu a realidade do jornalismo em Macau”, alertou Chao. “Há sim restrições à liberdade de imprensa. Vi um vídeo da sondagem deliberativa feito pela empresa, onde um participante aparece a dizer que em Macau não houve incidentes significativos relacionados com os média. Se essa pessoa chega a essa conclusão depois da sondagem deliberativa, julgo que o material que lhes foi apresentado só pode ter ignorado os problemas que os jornalistas enfrentam em Macau.”

Apesar de não ser comum que a imprensa em língua portuguesa sofra de censura, já a história parece ser diferente com os meios de comunicação social chineses. O canal em língua chinesa da TDM, por exemplo, tem sido um os dos meios que tem sofrido várias críticas por não haver liberdade jornalística.

Recorde-se ainda que, na avaliação do nível da liberdade de imprensa em Macau, os cidadãos colocaram o território em 7º lugar com menos liberdade, numa lista de oito países onde a China figurava no final.

Pedida intervenção do Comissariado de Auditoria

As despesas do Executivo com a sondagem são outro do problema da Novo Macau. A associação considera que os resultados – que basicamente ditam a eliminação dos dois Conselhos de Jornalistas da lei e da criação de um Estatuto do Jornalista – custaram demasiado dinheiro e não foram conduzidos de forma científica. O Executivo gastou 3,5 milhões de patacas nesta sondagem , mas do que vemos não se percebe que o estudo tenha sido levado a cabo de uma forma científica, porque ignorou as críticas que fizemos. Um qualquer trabalho académico deve incluir sempre críticas e saber também como se responde a essas críticas.”

Na apresentação do relatório, Angus Cheong foi várias vezes interpelado para que respondesse a questões relacionadas com o relatório e foi-lhe ainda pedido que tecesse comentários críticos a alguns aspectos conclusivos. Mas o líder do estudo recusou-se a fazê-lo. “A empresa vai explicar a aplicação dos 3,5 milhões de patacas gastos? É que um membro principal de grupo, Chio Sam Sou foi acusado de ter pouca integridade académica em Hong Kong, mas ainda assim faz parte deste grupo. Logo, a confiança pública na sondagem de 3,5 milhões de patacas é duvidosa”, reitera Jason Chao ao Hoje Macau, afirmando que as conclusões do estudo não justificam o dinheiro gasto.

Jason Chao disse ter obtido informações de que a empresa ERS –Soluções Macau pagou cerca de um milhão de patacas ao professor James Fishkin, da Universidade de Stanford, que foi quem conduziu a sondagem deliberativa. “Ou seja, quase um terço do total. Mas se olharmos para os resultados, não valeu a pena. Apelamos ao Gabinete de Comunicação Social para divulgar ao público como o dinheiro foi usado.”

Já o GCS assegura que o montante é o pagamento de um “projecto de investigação que tem como princípio factores científicos, públicos e de grande transparência” e que o relatório mostra grande profissionalismo e “enorme esforço da equipa de estudo”. Esta foi a resposta que o gabinete deu à Novo Macau que insatisfeita pede a intervenção do Comissariado de Auditoria. “A resposta do GCS não é nova, apenas confirma que é científico mas não dá resposta às polémicas.”

Já Angus Cheong, também questionado sobre o assunto na conferência de imprensa que serviu para apresentar o relatório, também se descartou de ter que justificar o preço. Segundo o académico da Universidade de Macau, a ERS – Soluções é uma empresa privada que não tem de divulgar a aplicação do seu dinheiro. O estudo foi encomendado pelo Governo, mas foi atribuído por concurso público, pelo que a empresa considera não ter que detalhadamente revelar onde foi o dinheiro gasto.

Foto: Hoje Macau


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