A acusação está contida num relatório sobre a mídia angolana, em que se mostra "que a esmagadora maioria dos jornais beneficia o partido do governo, o MPLA".
O estudo divulgado pelo sindicato indica que todos os jornais, com exceção do "Agora", deram maior cobertura aos eventos ligados ao MPLA do que a outros partidos durante o período em analise: última semana de Julho à primeira de Agosto.
O sindicato dos jornalistas angolanos diz também que irá analisar em próximos relatórios a razão que está por detrás desta cobertura, mas acrescenta haver um fator. "Muitos dos jornais privados pertencem aparentemente a setores ligados ao poder dominante o que configuraria um quadro de oligopólio ou monopólios proibidos por lei".
O sindicato alerta, contudo que no caso do Folha 8, embora seja o MPLA com maior número de notícias, qualitativamente quem está a merecer tratamento especial é a coligação CASA-CE. Nesse jornal o MPLA aparece em diversas vezes de forma negativa.
Segundo o estudo o pior partidarismo vem do Jornal de Angola, que no período em análise publicou 26 notícias referentes ao MPLA. A UNITA foi o segundo partido a ter referências no jornal com dez notícias. Em termos de imagem o MPLA foi o único a beneficiar daquilo que o relatório chamou de fotografia "em grande estilo".
O relatório faz notar que no Jornal de Angola só o MPLA teve direito a destaques principais em várias ocasiões. "O resto, quando merece destaque de capa é secundário ou pela negativa", acrescenta o documento que diz que "o público não tem a oportunidade de observar debates entre os concorrentes".
Em editorial da última sexta-feira (24/08) o Jornal de Angola rebateu as críticas do relatório do Sindicato dos Jornalistas de Angola (SJA).
Disse que apesar da democracia angolana ter debilidades, a mais problemática dela é a "existência de um jornalismo prisioneiro da falta de princípios. Alguns dos seus dirigentes confundem sindicalismo com oposição. Por isso, em momentos em que soa o apito, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos perde o espaço de parceiro social e surge como organização da oposição".
Para o jornal de Angola o SJA entrou de vez na campanha eleitoral, reforçando "a coligação negativa que se formou na oposição. E entrou na campanha a reboque de um estudo aritmético e infantil sobre o comportamento dos meios de comunicação, como se um processo social se pudesse reduzir a números. De facto, não há estudo, não há 'monitorização' nem seriedade. O 'estudo' não passa de um panfleto produzido com dinheiro da Open Society e chancelado pelo SJA. Os números são falsos, a análise primária, as conclusões são tiradas à medida da encomenda".
Também coloca que "os dirigentes do SJA entraram na campanha eleitoral, não como repórteres, mas como ativistas políticos da oposição".
Em sua defesa diz que "o Jornal de Angola publica, todos os dias, informação essencial sobre as ideias e projetos dos partidos e coligações concorrentes às eleições. A direção convidou todos os partidos e coligações a publicarem artigos de opinião nas nossas páginas. Até hoje, apenas a UNITA e o MPLA respondem regularmente ao convite. E nós publicamos todos os textos que chegam à nossa Redação. O Jornal de Angola criou duas colunas de crítica. Dizer que nesses textos de opinião se promove o ódio é uma traição à liberdade de imprensa. O SJA juntou a sua voz aos que atacam a liberdade de imprensa. Mas como temos um compromisso sério com os leitores, não vamos deixar-nos intimidar".
O Editorial é o mesmo que critica um comunicado da embaixada dos EUA, emitido na última quarta-feira (22/08) em que exigia que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) credenciasse observadores para as eleições do dia 31 de agosto, dentre eles o seu embaixador.
Para o jornal de Angola "as organizações incompetentes e sem credibilidade", que supostamente seria no caso o SJA, "recolhem dados falsos e produzem maus relatórios, prestando um mau serviço a toda gente, até aos diplomatas", se referindo ao embaixador dos Estados Unidos em Luanda, Christopher McMullen.
Para o sindicato o governo tem a obrigação de assegurar acesso igual para todos partidos políticos nos meios de comunicação públicos para além do tempo de antena específico (horário eleitoral) e que efetue a despartidarização efetiva dos órgãos de comunicação social.
Imagem: presidente do MPLA, e de Angola, José Eduardo dos Santos.
